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Posts de autoria de Sofia Boito

Teatralidades Contemporâneas

Tão difícil quanto se aventurar a escrever sobre as tão diversas manifestações teatrais contemporâneas, é encontrar alguém diposto a fazê-lo. Partindo das idéias de Hans Thies Lehmann, e o seu  Teatro pós-dramático, e da pensadora Josette Férral, Silvia Fernandes lança seu livro Teatralidades Contemporâneas, pela Editora Perspectiva.

A (importante) diferença do recém lançado livro é que a teórica se debruça em seus ensaios sobre companhias brasileiras de teatro, entre elas: o Teatro da Vertigem, a Cia Sútil e a Cia dos Atores.

Capa do livro da Editora Perspectiva

Teatralidades Contemporâneas reúne textos de uma representativa expressão crítica não só dos estudos acadêmicos no domínio da arte dramática, como das tendências mais marcantes das concepções e das práticas em cena no teatro brasileiro e internacional das últimas três décadas. A contemporaneidade é, pois, o âmbito e o dado fundamental na visão com que Sílvia Fernandes descortina o processo cênico em curso, cuja fermentação vem revolucionando o repertório de espetáculos oferecido ao público deste século XXI, esteja ele em cartaz nos sedutores luminosos das grandes casas teatrais ou nos obscuros tablados dos grupos experimentais de vanguarda. A esta luz – em que as propostas de teóricos como Féral, Pavis, Ubersfeld e Lehmann pautam o seu ideário –, as sensíveis e bem fundamentadas análises da ensaísta proporcionam ao leitor as chaves dos códigos explícitos, mas também das ocultas redes de relações de intersignificância tecidas, textual e cenicamente, nas obras teatrais, aspirem ou não o status de arte. É o que aflora com evidência estética em encenadores que, no Brasil ou no exterior, puseram em jogo no seu trabalho os operadores conceituais e as possibilidades de leitura artística por eles ensejadas nos palcos da atualidade, como José Celso Martinez Correa, Gerald Thomas, Felipe Hirsh e a Sutil Companhia de Teatro, Antonio Araújo e o Teatro da Vertigem, Enrique Diaz e a Companhia dos Atores. As esclarecedoras e, a seu modo, instigantes interpretações que a nova crítica nos oferece nestes textos de Sílvia Fernandes, traduzem uma captação e avaliação no plano do intelecto e da sensibilidade que é, não só de uma nova geração em nosso movimento teatral, como de uma revisão do modo de ver e de fazer teatro em suas diferentes latitudes na modernidade.

[J. Guinsburg]

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Reflexões acerca do hibridismo

Muito se fala em hibridismo na arte contemporânea. Nas artes “espetaculares”, por assim dizer, esse termo é tão recorrente quanto nebuloso. A arte dita “híbrida” me parece ser simplesmente aquela arte que tanto o crítico quanto o público ou o jornalista, não sabe definir sua natureza. (Seria aquele um espetáculo de dança? Ou seria de teatro? Ou seria uma performance? Ou uma vídeo-performance?)Mas, afinal o que seria uma arte híbrida?

Não desejo aqui (e mesmo que desejasse não conseguiria) chegar à uma resposta absoluta. Tampouco penso que haja uma. Mas, mesmo dessa simples afirmação que venho de fazer – híbrida é uma arte da qual não se reconhece a natureza dentre as linguagens artísticas já convencionadas – podemos avistar alguma pista do que pode ser esse tal hibridismo na arte.

Segundo Laurence Louppe em certo texto intitulado (na tradução em português) “Corpos híbridos”: “Esse híbrido não se situa em nenhum lugar, não é nada. Frequentemente ele é totalmente isolado e atípico, o resultado de uma combinação única e acidental. A hibridação funciona muito mais no lado da perda. A hibridação age mesmo na nucleação dos genes, ao subvertê-los e deslocá-los. Ela pode criar uma relação não entre raças, mas entre ‘espécies’ incompatíveis, dando a origem a criaturas aberrantes, destacadas das comunidades vivas.”

Ora, de fato, o híbrido, no campo da biologia, seria um ser resultante do cruzamento entre diferentes espécies (como zebra e asno, tigre e leão) o que cria um terceiro ser, não pertencente nem à primeira e nem à segunda espécie.

Se importássemos o conceito científico para o campo da arte de forma “literal” (procedimento usado por Louppe), podemos compreender que uma obra híbrida seria, então, uma obra resultante do cruzamento entre linguagens artísticas diferentes, mas que não seja pertencente nem a uma linguagem, nem a outra, sendo, portanto, uma terceira coisa.

Desse pensamento o que me interessa, e digo isso principalmente como artista, é essa idéia de “cruzamento” entre diversas linguagens. Mais do que simplesmente colar diversas formas artísticas uma ao lado da outra, o procedimento seria o de fato criar uma intersecção real entre as linguagens. Mas, afinal o que poderia configurar esse tal cruzamento genético no que diz respeito à arte?

Uma das características fundamentais descritas por Louppe, ao meu ver, é o caráter “acidental” desse cruzamento. Isto é, me parece que em uma criação artística em que estão envolvidas diversas linguagens, para haver de fato a hibridização é necessário não possuir como objetivo (ou, talvez, não possuir apenas como objetivo) o hibridismo, mas sim de fato concretizá-lo a partir de procedimentos processuais que levem o resultado à ele.

O que tento explicar é que não há uma fórmula para o hibridismo. Em realidade seria o real cruzamento entre linguagens (se ele de fato existir) durante um processo artístico que gerará um filho híbrido; sem que se haja um grande controle sobre a aparência desse filho. Digo isso porque, por ser recorrente o termo, me parece que muitos artistas buscam resultados híbridos em suas obras sem antes, durante o processo de criação, fomentar uma real intersecção/cruzamento das linguagens artísticas.

A busca pelo hibridismo como resultado formal e não com um procedimento durante o processo, muitas vezes acaba por criar espetáculos de colagem, onde ao invés das linguagens se esbarrarem, friccionarem e se contaminarem, elas ficam cada uma em sua área de conforto, deixando claro onde está a dança, onde está o teatro e onde está a música. Sem que uma modifique a outra.

Ora, a obra híbrida, me parece, não seria aquela criada à imagem de um centauro (figura mitológica grega metade eqüina e metade humana), mas sim aquela que em seu processo está disposta a se transformar em mula, zebralo, zebrasno ou leopon. Até por isso, acredito eu, Louppe diga que a hibridização está também ligada a um processo de perda.

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Frank Castorf

Tido, aqui no Brasil, como um grande encenador do teatro contemporâneo, Frank Castorf, já foi trazido pela rede SESC com duas peças: Estação Terminal América (adaptação da peça Um bonde chamado desejo de Tennessee Williams) e Na selva das cidades (de Bertold Brecht). A vinda do diretor e sua trupe deu tão certo que no ano de 2006, em um convênio entre o SESC-SP e o Goethe Institut o encenador criou e montou no Brasil (com atores brasileiros) sua versão para a peça de Nelson Rodrigues Anjo Negro (que montou com trechos do texto A missão:lembrança de uma revolução de Heiner Muller) .

Na minha visita à Berlim, neste janeiro de 2010, pude visitar a “casa” de Castorf, isto é, o Volksbuhne (“o palco do povo”), teatro estatal alemão que pertenceu à socialista República Democrática Alemã nos anos que antecederam à queda do muro de Berlim e ao fim da divisão do país. Essa instituição teatral, hoje, é uma das maiores na Europa, possuindo um enorme número de montagens e público.  O Volksbuhne está “sob comando” de Frank Castorf desde 1993 e talvez também por isso, em Berlim, ao contrário do que ocorreu no Brasil na vinda do diretor e suas montagens, Castorf não é visto como um representante de um teatro contemporâneo, mas sim como o diretor de um instituição estatal de “repertório” convencional e já empoeirada.

Acho interessante mencionar essa divergência de olhares – Castorf como diretor de um teatro enferrujado ou Castorf como representante de um teatro contemporâneo – que reflete também o conhecimento ou a falta de conhecimento sobre o contexto da criação e produção do diretor.

No entanto, mesmo sendo ele visto como o diretor de um antigo e convencional Volksbuhne, não pude deixar de notar que a sala do teatro estava lotada de jovens que iriam assistir à sua versão de Medeia. E nessa noite pude observar, mais uma vez, o que sempre me despertou interesse no trabalho de Castorf: a vitalidade de suas encenações. Frank Castorf pode escolher montar textos clássicos para o “repertório” do Volksbuhne, não importa, o que se vê em cena diz respeito a hoje. Sua encenação grita, explode, ironiza, destrói, provoca, violenta.

O que vi, por exemplo, em Anjo Negro + A missão: lembrança de uma revolução é uma discussão calorosa sobre o racismo, não só pelo texto de Muller ou Rodrigues (que lembremos, muitas vezes beira mais o dramático ou até mesmo o trágico do que propriamente o político), mas pela estrutura formal da encenação que vem dar um outro sentido aos textos.

A ironia com que o diretor trata os temas é uma característica que sempre nos afasta epicamente de suas personagens e em Anjo Negro esse distanciamento é estampado na cara: os atores negros fazem os papéis dos brancos e os brancos os papéis dos personagens negros. Os atores são porta-vozes de personagens que falam diretamente à platéia, sem a máscara da ficção, como se aquilo que ocorresse no palco de fato nos dissesse respeito, nos impedido de tomar o lugar do voyeur passivo.

A revolta de seus atores/personagens (nunca vemos apenas um, mas sempre a fricção dos dois) em suas encenações sempre leva à destruição física do espaço. O que muitas vezes acaba por revelar outros espaços, ou mesmo a estrutura do teatro – Em Anjo Negro a destruição das paredes de maderite revelam os câmeras-men que filmam os atores para projetá-los em uma tela na boca de cena. Destruir é revelar, e é na destruição que a peça se faz possível. A violência está sempre latente em sua arte e quando explode é tão potente que não conseguimos nos sentir excluídos dela. É por isso que há aqueles que, como eu, sentem um desejo imenso de pular no palco, mas, por outro lado, há outros que se sentem repelidos, de fato, do teatro. Tanto que em A selva das cidades a platéia do SESC esvaziou quase cinqüenta por cento na metade do espetáculo.

Existe uma dramaturgia da ação presente por cima do texto e ela está na destruição/transformação do cenário, na explosão da luz, no esvaziamento revoltado da platéia.

Segundo Jitka Pelechová, em um artigo sobre o encenador na revista francesa Théâtre/Public, essas características das encenações de Castorf são quase uma “marca de fábrica que impregna de maneira indiscutível a estética de seus espetáculos” e que está “ligada a um passado alemão recente, desde as duas guerras mundiais até a reunificação, em torno de sentimentos contraditórios de culpa e nacionalismo”[1].

Castorf talvez seja o diretor mais político que assisti nos últimos tempos e não porque ele procure racionalmente falar de política, mas talvez porque em suas montagens a autêntica e vital revolta e indignação leve os atores a agirem de fato no presente e a modificarem seu ambiente.


[1] Jitka Pelechová, “Deux repertoires en parallèle – Frank castorf, Thomas Ostermeir” In: Théâtre/Public 194, Paris. 2009.

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Paris —– Berlim

Em uma longa viagem de trem sai da já conhecida cidade francesa e cheguei à cidade alemã, onde nunca antes tinha ido. O frio era o mesmo em ambas capitais, mas, diferente da ensolarada Paris que deixei para trás,  a cor do céu e do chão da cidade alemã eram pequenas variações de cinza até chegar ao branco da neve.

Berlim, no entanto, mesmo tendo uma paleta de cores morta (céu nublado/asfalto/neve suja), me surpreendeu pela vivacidade de suas ruas. As pessoas, os bares, restaurantes, museus, galerias, teatros… A cidade alemã parece estar, mesmo sob um frio de -8 graus celsius, sempre vibrante.

Deixa-se uma cidade onde se pode assistir diversas peças, espetáculos de dança, exposições e concertos em grandes centros culturais, teatros, óperas e museus, para ir rumo a uma cidade onde se produz, se cria, diversas peças, exposições, concertos…

Uma Paris que foi chamada de cidade luz no final do século XIX e início do XX, por se tratar da capital européia da cultura moderna, efervescente, hoje parece permanecer à sombra dessa modernidade. Em janeiro, no Centre Georges Pompidou (centro cultural parisiense de proposta interdisciplinar) havia duas exposições temporárias em cartaz: “A subversão das imagens. Surrealismo, fotografia, filme” e “Via design 3.0”[1], além, é claro, da sua permanente exposição de obras do acervo. Na ocasião o centro cultural interdisciplinar estava sem programação de teatro, dança ou música em cartaz e possuía apenas uma mostra de cinema na agenda: “Singapour, Malasie, le cinéma!”.

Visitei, então, a bilheteria de um outro local, o Theâtre de la Ville (importante teatro parisiense que, como se lê em seu site[2], possui uma proposta de programação composta por espetáculos contemporâneos, de novos artistas que buscam novos horizontes e intersecções entre as artes); lá encontrei uma brochura com a programação do teatro entre setembro/2009 – junho/2010. De fato, em um ano os parisienses tiveram a oportunidade de assistir a muitos artistas renomados da cena artística atual: Jan Fabre/Troubelyn, Pina Bausch/ Tanztheater wuppertal, Bob Wilson, Heiner Goebbels, Anne Teresa de Keersmaeker (da cia. de dança belga : Rosas). Como se pode ver um conjunto de nomes aclamados pela crítica. Mas uma observação que pude fazer: não há na relação nenhum nome francês. Além de, como podemos perceber, nenhum nome de um novo artista.

Na ocasião fui assistir a uma peça italiana que lá estava em cartaz: teatro lotado, homens e  mulheres de óculos lotando a platéia de poltronas aveludadas e ovacionando a peça que contava a historia de uma fábrica na Itália de Mussolini. Da encenação quase não há comentários a serem feitos: simples, colocava os atores em lugares diferentes do palco para dizerem suas longas falas. Da dramaturgia, uma verborrágica fábula histórica. A peça poderia existir em qualquer tempo/espaço do século XX.

Corta. Estou agora em Berlim, o bairro é Kreuzberg, o antigo distrito dos “marginais” da Berlim ocidental, agora o bairro está em ascensão e abriga o teatro tripartido HAU (Hebbel am Ufe), construído pelo governo para habitar três grandes prédios abandonados da região. Desde 2003 o HAU é o espaço do teatro não-convencional em Berlim. Buscando todas as produções independentes de teatro alemão e estrangeiro, o espaço abriga jovens companhias que buscam (segundo o diretor do teatro) fazer uma arte não-convencional.

O que vi no HAU  foi uma grande concentração de jovens, alguns bebendo no café, outros esperando o início do show que iria ocorrer. Havia, na programação, diversos debates entre os grupos que estavam ocupando o espaço naquele momento, fossem grupos de teatro, vídeo ou performance. Os improvisados palcos e cafés me pareceram muito mais vivos e vibrantes do que qualquer ovacionação da platéia francesa, que logo após o espetáculo assistido entrou pelos túneis de metro e sumiram.

Na descrição que Mario Vargas Llosa faz de Berlim: “Em todos os conjuntos de prédios que vão da porta de Brandebourg à Alexander Platz surgiram – algumas vezes em garagens, sub-solos e apartamentos deslocados – teatros experimentais, ateliers, clubes de jazz, cinemas de arte e experimentais, cafés, círculos literários, centros de debates políticos, salas de exposição, onde se ouve todas as línguas e se vê todas as raças, se discute todos os temas e onde o cliente tem a impressão exaltante de estar no centro do mundo. Desde meus primeiros anos passados em Paris, no fim dos anos 50, eu nunca tinha sentido nada parecido em nenhuma cidade do mundo.”[3]


[1] Os nomes das exposições são traduções livres do francês.

[2] http://www.theatredelaville-paris.com/

[3] Mario Vargas Llosa, “Berlin, Capitale de l’europe” In: Comment j’ai vaincu ma peur de l’avion. Ed.L’Herne. Paris. 2009. (Tradução Livre do francês)

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Falando em Coisas

Falando sobre “coisas” e deixando um pouco a questão da terminologia de lado… O copo do Bruno (no post a baixo) me fez lembrar de algumas coisas… Tudo bem, talvez eu tenha mudado BASTANTE de assunto, mas enfim…

Existe um programa da Discovery Channel intitulado “How things are made?”(ou “O segredo das coisas”) , nele é mostrado todas as etapas do processo de produção de algum artefato utilizado pela nossa sociedade:

“Você já pensou em como são feitos os objetos do nosso dia a dia? O Discovery Channel apresenta um novo episódio de O SEGREDO DAS COISAS, revelando os segredos da elaboração de vários objetos, dos mais usuais aos mais incomuns.  Em O SEGREDO DAS COISAS, o mundo da ciência e engenharia se funde com a criatividade humana para explicar, passo a passo, todos estes processos.” (http://www.discoverybrasil.com/web/o-segredo-das-coisas/)

Cada programa contempla, obviamente, um artefato diferente. Os processos produtivos são decompostos e mostrados de forma que espectadores leigos possam contemplar/compreender/admirar todas as etapas necessárias para a produção de um simples objeto como, por exemplo, um botão.  O escancaramento do processo diante dos olhos do público, a processualidade do botão. (Resultados de processos controlados, não-experimentais).  As coisas explicadas pelos canais “científicos” da televisão americana, entusiastas do progresso.

Afinal, How to make a button?

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Resultados Parciais da enquete

Bom, a idéia era essa mesmo, entender como cada um emprega esses nomes.

Deixemos, então, que sejam empregados… Segue a reposta de 3 pessoas para a minha enquete via email.

Aliás, as respostas foram esclarecedoras por muitas vezes não tentarem esclarecer nada.

OBS: Sim a palavra “definir” apareceu em algum momento – vício, força do hábito, desejo de controle ou cristianismo?

Arte Híbrida:
“Acho que é aquela que não se consegue enquadrar num único gênero artístico convencional - teatro, dança, artes plásticas, etc… é um híbrido de alguns deles e apresenta elementos de ambos, sem ser nem um, nem outro, que nem o burro, que é um híbrido de égua com jumento.” (Daniel Córdova)/
“Alguma coisa lúdica”(Bruno Turra)/
“Nunca ouvi falar”(Armando Boito)/
Interdisciplinaridade:
“Essa é prima-irmã da arte híbrida, mas eu não sei a diferença entre uma e outra, não. talvez o termo tenha um uso mais disseminado, tipo, o ENEM e a educação brasileira também têm buscado nos últimos anos a interdisciplinaridade, mas isso não quer dizer que eles tenham buscado tratar de teatro-dança ou da reprodução entre eqüinos e muares, mas das pontes entre biologia e geografia, matemática e história, etc..”.(Daniel Córdova)/
“Com o paroxismo da especialização nas ciências, atingido no século passado, vem como antítese necessária (“marx de cu é hegel”) esse discurso transversal. Em relação às ciências naturais a aplicação prática é um fato, ainda que em estágio embrionário.”(Bruno Turra)/
“Conheço para as ciências, não para as artes. Nas ciências, trata-se da combinação de teorias, métodos e temas de diferentes disciplinas para o estudo de um objeto específico. Por exemplo, posso fazer um estudo interdisciplinar de um determinado ambiente, reunindo biólogos, geógrafos, economistas, sociólogos etc. Cada um desses pesquisadores mobilizará os conhecimentos de sua disciplina para, somando-se aos conhecimentos provenientes das demais disciplinas envolvidas, caracterizar e explicar o objeto da pesquisa.”(Armando Boito)/
Arte experimental:
“Aquela que acontece distante do mainstream e investiga novas formas de comunicação em vez de repetir aquelas já estabelecidas. ah, essa é fácil de definir, né? mentira e eu acho ótimo ter dois autores pra citar de cabeça pra confirmar isso, um é o lehmann que faz uma relativização dessa oposição entre mainstream e experimento no pós-dramático com uma frase genial que eu não vou lembrar aqui mas é algo do tipo “nos porões dos teatros de vanguarda também se guarda muita sucata e na corrente do mainstream também … (sei lá) nada muito peixe bom (!)” e outra é do raymond williams que fala mais ou menos a mesma coisa num artigo que está num número da revista sinopse, em que ele diz que não dá pra encontrar muita antiguidade no teatro nacional assim como arrojamento num seriado policial.” (Daniel Córdova)/
“Às vezes não dá certo (como qualquer experimento)” (Bruno Turra)/
“O objeto ou prática artística que viola, de modo deliberado, regras mínimas que são consensuais ou amplamente dominantes num determinado campo artístico. O fato de a violação ser deliberada e refletida difere, muitas vezes, o experimento do mero erro.(Armando Boito)/
Originalidade:
” acho que essa é impossível de explicar, talvez só parafraseando o josé saramago: ‘mostre-me a originalidade e eu a reconheço, peça-me pra defini-la eu digo que não consigo’.”(Daniel Córdova)/
“Um romantismo” (Bruno Turra)
“Obra que traz algo novo, podendo a novidade se referir ao estilo, ao tema ou ao local e circunstâncias em que a obra é apresentada.”(Armando Boito)/
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Para uma compreensão colaborativa

Cansada de tentar decifrar solitariamente os possíveis significados que se escondem por trás das expressoões recorrentes que já levantamos desde o nosso primeiro encontro como participantes do GRiD (sim elas continuam a me tirar o sono): Originalidade, Arte Experimental, Hibridismo na Arte (ou Arte Híbrida) e a própria Interdiscilpinariedade, resolvi lançar via email um pedido de auxílio a amigos/conhecidos e semi-conhecidos.

Explico: eu precisava fazer uma entrevista e fiquei imaginando que, desde o princípio, o que gostaria era de entrevistar algum ser que iluminasse o obscuro mundo das expressões que já citei a cima. No entanto, quebrei minha cabeça tentando descobrir quem seria essa pessoa e não cheguei a nenhum nome possível.

Minha idéia, então, foi a seguinte: já que me parece impossível descobrir UMA pessoa que possua os significados  ABSOLUTOS dos termos empregados, e já duvidando que de fato exista um significado absoluto para cada um desses termos, o melhor que poderia fazer seria obter o maior número de respostas possíveis. E tendo como insentivo o modelo de entrevista que o Bruno lançou, me pareceu que talvez pudesse ser interessante lançar na internet (via email por enquanto e, quem sabe, mais tarde, via Facebook?) uma “enquête” que investigasse as possíveis leituras para as expressões.

O email/modelo que enviei talvez ainda seja muito vago, tenha que reformulá-lo, não sei, estou esperando sugestões/opniões! Segue o email:

Olá!

Se envio este email para você é porque conto com a sua colaboração para uma
“enquête” que estou fazendo.

Como integrante do GRiD (Grupo de Reflexão interdisciplinar) do Centro Cultural São Paulo,
levantei junto com outros integrantes alguns termos recorrentes em textos sobre obras contemporâneas,
esses termos, apesar de muito utilizados, parecem possuir significados obscuros ou, no mínimo,
confusos, mesmo para quem os emprega. Servindo, também, em algumas ocasiões, de muleta para alguns discursos.
Exatamente por não possuiram uma definição clara de seus significados.

Conversando com outros amigos (tanto de teatro quanto das artes visuais) percebi que o emprego de tais expressões
intriga a muitos artistas, que tenta decobrir solitariamente o significado dos recorrentes termos.

O que gostaria, portanto, a partir deste email que envio para pessoas diversas, é fazer um levantamento
das possíveis leituras e compreeensões das seguintes expressões:

Originalidade


Arte Experimental


Interdisciplinariedade


Arte Híbrida

A forma da resposta é livre, pode ser um texto/imagem/frase,etc…. Pode ser só para
uma das expressões, para todas….
Sinta-se a vontade para citar outras pessoas/teóricos/artitas.
Também, se quiser, pode colocoar na lista uma outra expressão recorrente de significado dúbio que não deixe você pegar no sono!

O Importante é saber que pretendo publicá-las no blog
do GRiD, mas que posso deixar como resposta anônima, caso queira assim!

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Interdisciplinariedade

(Seguindo a “onda” dos videos, programas de tv, falsos documentários, etc..)

Eis o que seria o GRiD, por Hermes e Renato.

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O que seria, afinal, experimental na arte?

Da correspondente internacional Sofia Boito, diretamente de Paris e sem acentos.

Bom, enquanto a chuva faz estragos em Sao Luis do Paraitinga, Rio de Janeiro e Sao Paulo a natureza por aqui tambem esta revoltada. O frio, a neve e, por incrivel que pareca, tambem a chuva (no sul da espanha) esta castigando a raca humana! Mas, deixando de lado o momento “mulher do tempo”, queria registrar aqui uma observacao que fiz ao visitar o MACBA (Museu de Arte Contemporanea de Barcelona).

Bom, o Museu de Arte Contemporanea de Barcelona possui a exposicao permanente de seu acervo e algumas exposicoes temporarias, no dia em que pude visitar o museu tive sorte de poder ver duas exposicoes temporarias bem interessantes. A primeira, sobre algumas obras contemporaneas que re-visitam o modernismo e uma segunda intitulada: “A anarquia do silencio – Jonh Cage e a arte experimental”. Essa ultima me saltou aos olhos, nao so por expor pbras do fluxus, obras individuais de John Cage e outras obras provenientes de parcerias do artista, mas principalmente pelo titulo dado a exposicao.

Ha algum tempo temos discutido alguns termos que sao recorrentes no campo da arte contemporanea, que sao ditos, escritos e lidos constantementes, sem que tenhamos deles maiores definicoes. Sao termos como: hibrido, original, experimental, entre outros (esses sao os primeiros que me veem a mente). Portanto, quando li o titulo da exposicao “John Cage e a arte experimental”, me pareceu que enfim teria algum tipo de definicao do termo, ou tentativa de definicao, ou investigacao de definicao.

No entanto, qual nao foi minha surpresa (na verdade, confesso, era o que exatamente como eu esperava) quando descobri que a expressao foi usada no titulo da exposicao, sem possuir nenhum tipo de explicacao ou definicao do termo em nenhum dos textos curatoriais. Investiguei o catalogo inteiro, de cabo a rabo. E nada. Algumas parcas referencias a Duchamp e a arte conceitual, mas nada, nada, sobre o que seria a tal arte experimental.

Deixo aqui, para aqueles que quiserem visitar virtualmente o museu, e as suas exposicoes temporarias, o link do site:

http://www.macba.cat/controller.php

saudacoes do velho continente!

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Centro Cultural São Paulo – Centre Pompidou

A saber:

o Centro Cultural São Paulo foi inspirado diretamente no formato “Centre Pompidou”,

ao tomar conhecimento disso fui investigar o que o próprio Centre Pompidou diz de seu conceito de criação…

E…tan-dan! Encontrei a palavra “interdisciplinaire” em seu site. Tudo bem, não é tão supreendente assim.

Mas, enfim, achei interessante. Estou dando uma traduzida na apresentação deles e logo postarei aqui!

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