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Posts de autoria de Bruno Freire

O Primeiro debate como integrante do Grid.

Bate-Papo Interdisciplinar Criações específicas no CCSP, em Dança e Artes Visuais”, no dia 07 de novembro, às 18h.

composta por:
Jorge Menna Barreto (Palestrante) - Contextualizou a prática do Site Specific
Fernanda Albuquerque (Curadora de Artes Visuais) - Contextualizou o projeto em artes visuais e descreve uma das pesquisas desenvolvidas
Alexandra Itacarambi (Curadora de Dança) - Contextualizou o projeto em dança
Lua Tatit (representante NCNC:SS)- Conta sobre seu projeto de pesquisa
Bruno Freire (GRID – Grupo de Reflexão Interdisciplinar do CCSP) - Contribui na questão site specific e dança (“coreografia social”).

Finalmente estou disponibilizando o texto base para a conversa/palestra de NC:NC – SS.

Coreografia Social

Coreografia Social é um conceito abordado num livro de  2008 de Andrew Hewitt, professor de línguas Germânicas na Universidade da Califórnia em Los Angeles. O livro se chama Coreografia Social: Ideologia como Performance na Dança e no Movimento do Dia-a-Dia (Social Coreography: Ideology as Performance in Dance and Every Day Movement). O autor propõe o uso do termo Coreografia Social como uma tentativa de pensar a estética (coreografia) como algo que opera na base da experiência social.

Trazer este conceito para um debate em dança e site-specific, parece contribuir para um deslocamento da discussão da especificidade da dança. Quando falamos de dança, a priori, pensamos em corpo. Toda e qualquer discussão sobre dança (ou mesmo filosófica), atravessa algum entendimento de corpo. Nos últimos anos, o autor nos alerta para uma espécie de ‘retorno do corpo’, o que contribuiu para ampliar, consideravelmente, um interesse por esta arte. No entanto, segundo Andrew Hewitt, este “retorno do corpo’ nos estudos culturais apenas circunda a dança porquê a dança localiza sua possessão social não nos corpos mas na dinâmica dos espaços, que separam e unem esses corpos, no ‘movimento’ ao invés do ‘corpo bruto’ (HEWITT, 2008, p. 7, tradução nossa)”.

A hipótese levantada aqui é a de que quando o Centro Cultural São Paulo propõe um evento chamado Novos Coreógrafos : Novas Criações – Site Specific, acaba guiando o nosso olhar para a coreografia já existente no espaço do Centro Cultural. Nos convidando a observar os movimentos que os corpos realizam por esses espaços. E, consequentemente, pensar numa dança que já acontece ali.

Os motivos que levam as pessoas a saírem de suas casas e irem até o CCSP são também coreografias. Os corpos que frequentam aqueles espaços estão coreografados. Para entendermos isso a partir do que Andrew Hewitt parece propor em seu livro, seria melhor dizer que estes ‘motivos que fazem as pessoas saírem de suas casas’ são, em outras palavras, a própria ‘ideologia’, aquilo que impulsiona um corpo a se deslocar pelos espaços. Todo corpo se movimenta a partir de uma ideologia. Nas danças (cênicas) esta ideologia é apresentada em/na performance, durante a ação pelo espaço da cena.

Aqui se apresenta um outro conceito que devemos explicitar. Qual é o entendimento de performance para Andrew Hewitt?

Performance para o autor, deve ser encarado como as interpretações dos ‘sonhos’ de Sigmund Freud. Quando falamos de um sonho, falamos daquela lembrança de uma memória irreproduzível. Os significados de um sonho nunca estão completamente compreendidos, não chegam para nós prontos, fechados e formatados, será necessário interpretá-los, pois estão o tempo todo fazendo ‘significar’, se modificando a cada nova leitura e interpretação.

O sonho é como a ponta de um Iceberg, nós apenas visualisamos parte do gelo, o resto está embaixo d’água. Este gelo debaixo da água é também o Iceberg. Aquilo que suporta e sustenta o gelo que nós vemos sob a água é o Iceberg. Da mesma forma acontece na Performance, o que sustenta a Performance é a Ideologia, fazendo juz ao subtítulo do livro, Ideologia como Performance na Dança. A performance é apenas uma ponta da ideologia, que é construida na escolha dos treinamentos diários de cada dançarino.

Será importante ressaltar que a ideologia é construida no cotidiano, no seu conjunto de hábitos. Isso NÃO depende do grau de consciência daquele que planeja suas tarefas diárias. Parte-se da ideia de que todo movimento cotidiano é resultado de uma escolha, e cada escolha se dá a partir de um certo ideal de mundo. Isto não quer dizer que um artista precisa agir no mundo através de uma cartilha política. No entanto é importante que ele saiba que qualquer movimento seu no mundo será uma escolha, que por sua vez está baseada num conjunto de hábitos pré estabelecidos por ele ou pela sua condição na sociedade. Dito isso de outra forma, todo treinamento é ideológico e não será necessário se filiar a nenhum partido político para que isso aconteça. Pense o artista sobre isso ou não.

Portanto, talvez esteja mais do que urgente uma reconfiguração dos nossos próprios hábitos. Ou ao menos por agora, levantar algumas peguntas que podem nos auxiliar a desmontar alguns conceitos já impregnados em nossos corpos: Será que nossos hábitos estão sendo ditados por terceiros, cujas regras devemos apenas aprender e cumprir para obtermos a aprovação e aceitação? Será que os artistas da dança criam a tão reinvindicada autonomia, para, assim, performarem em cena? Será que todos tem de fato um hábito com o local/ambiente que desejam se apresentar?

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Tudo o que você sempre quis saber.

tudo o que vc sempre quis saber

projeto 7×7 de Sheila Ribeiro, o texto é de um integrante do grid que saiu no idanca, leia em tudo o que você sempre quis saber.

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Dança e Arquitetura.

The Forsythe Company

Na palestra sobre site specific, alguém da platéia disse que estava muito interessada em saber qual o entendimento que a dança tinha de arquitetura. Logo lembrei de Laban, logo lembrei também de Willian Forsythe : more))

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