rútilo nada
em 23/06/2010 por Bruno Freire
Rútilo Nada - concepção e interpretação: Wellington Duarte e Donizeti Mazonas - direção e música: Daniel Fagundes - foto: Keiny Andrade
referência 1: Hilda Hilst
“Rútilo nada. Rútilo é um substantivo masculino que é o mesmo que o adjetivo rutilante. É o “que rutila, que fulgura ou resplandece com vivo esplendor, luzente, cintilante; cujo brilho chega a ofuscar.” (HOUAISS, 2001, p.2485). No conto, há diversos sinônimos de rútilo, e adjetivos ou substantivos relacionados à luz: cintilância (HILST, 2003, p.85); luzente (HILST, 2003, p.90); luminosa (HILST, 2003,p.94); brilhos (HILST, 2003, p.94); lustroso (HILST, 2003, p.95); clarão (HILST, 2003, p.96); entre outros. Há, também, os nomes das duas personagens que se referem à luminosidade: Lucius e Lucas. Lucius é um nome latino que significa “luminoso, iluminado, derivado de Lux, luz.” (CRESCER, acesso em 07 de maio de 2007); e Lucas que “é considerado uma abreviação de Lucanus, “natural da Lucânia”, província da Itália. Lucânia pode ser traduzida como “terra da luz”. Sua origem também é atribuída ao grego Loukas, derivado de Lux, luz.” (CRESCER, acesso em 07 de maio de 2007). Nada é um pronome indefinido. É “a negação da existência, a não existência; o que não existe; o vazio.” (HOUAISS, 2001, p.1991). Também significa a “situação que precede a ou que se segue à existência.” (HOUAISS, 2001, p.1991). Partindo da idéia que o nada antecede à vida, é possível remeter-se à cosmogonia originária do pensamento judaico-cristão. Na qual, o universo foi criado do nada. “Do nada fez-se a luz, as águas, as terras, as estrelas e todos os astros do universo. O próprio tempo, segundo Santo Agostinho, foi criado nessa ocasião.” (BAPTISTA, acesso em 20 ago. 2007). É necessário lembrar que a autora teve uma formação religiosa e que, segundo ela própria, toda a sua escrita é atravessada pela religiosidade. Sendo assim, é pertinente propor que ela tenha feito uma transposição, uma transformação séria, segundo Gérard Genette em Palimpsestes (TRANSTEXTUALIDADE, acesso em 04 ago. 2007), da máxima do nada fez-se a luz ao criar o título do conto. Invertendo uma ordem canonizada da concepção judaico-cristã: Rútilo nada.” via. Claber Borges.
