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Pamela Prado (p.3)

Compensação dos erros, 2007, Lais Myrrha, exposta em "Wonderland"

Compensação dos erros, 2007, Lais Myrrha, exposta em "Wonderland"

(continuação da entrevista iniciada aqui)

Como se deu o desenvolvimento da curadoria “Wonderland – ações e paradoxos” que você desenvolveu junto com o Rafael RG? Como vocês chegaram nessa proposta? Quais foram as maiores dificuldades? E facilidades? Como você avalia o resultado final ?

How was your involvement in the curatorship “Wonderland – actions and paradoxes” that you developed with Rafael RG? How did you get to this proposal? What were the most difficult aspects to carry on? What about the easiest ones? How do you evaluate the final result?

Então, junto com Rafael Rg, nós trabalhamos como curadores na exposição Wonderland: ações e paradoxos. Nós começamos a planejar um programa para o Paradas em Movimento, que foi dividido em 3 atos: ações, performance e engajamento social. Wonderland: ações e paradoxos é o primeiro ato.

Em Wonderland, o ponto de partida foi a questão sobre o sentido e o absurdo e sua conexão com o conceito de realidade. Nós assistimos o video de Francis Alÿs chamado Paradoxo da praxis 1 (1997). É um registro de uma ação que não produz um resultado definitivo, sob a frase “Sometimes making something leads to nothing” (Às vezes fazer alguma coisa não leva a nada). Alÿs empurra um bloco grande de gelo pelas ruas da cidade do México. A ação não tem um objetivo ou finalidade, então ela parece não ter nenhum sentido. Portanto, levamos em conta o livro “Lógica do sentido”(1969), de Giles Deleuze, e sua análise do “Alice no país das maravilhas” de Lewis Carroll, onde sua teoria do sentido é melhor descrita como uma série de paradoxos (em parte porque sentido é uma entidade que não existe, e, de fato, mantem relações especiais com o absurdo). Deleuze explica os dois (sentido e absurdo) usando a imagem da fita de Mobius, os duas formam as duas metades do ciclo de hermenêutica que joga na descoberta do sentido. Em “Alice no país das maravilhas”, nós podemos nos tornar conscientes de como ela sempre vai nessas duas direções ao memso tempo – sentido e absurso – ou que Wonderland (o páis das maravilhas) é sempre subdivido nessa direção dupla.

Portanto, em Wonderland: ações e paradoxos nós gostaríamos de apresentar ações que poderiam encapsular esse “nada” proposto por Alÿs, ou este duplo que lemos em Deleuze. Essas ações, contudo, na exposição vem a substituir o objeto artístico (a obra de arte) Essas ações não necessariamente tem um objetivo predeterminado, é possível dizer que falta um objeto ou um objetivo, e portanto eles levam ao nada, a lugar nenhum. Por esse motivo os trabalhos de vídeo apresentados na exposição oferecem uma série de paradoxos e contradições questionando qualquer interpretação lógica.

Quando as duas últimas perguntas sobre os aspectos mais difíceis e os mais fáceis, eu acredito que o mais difícil aspecto na realização da exposição foi o tempo, porque foi muito curto para desenvolver uma exposição. Mais eu acho que nos saímos bem e obtivemos resultados muito interessantes.  O aspecto mais fácil ou mais divertido foram as visitas aos ateliês dos artistas, galerias e ao arquivo do videobrasil. Foi maravilhoso trabalhar com esse grupo de artistas: Antti Laitinen, Adriana Aranha, Cinthia Marcelle, Kika Nicolela, Lais Myrrha, Laura Glusman, Marilá Dardot, Paola Junqueira, Renata Padovan e Rodrigo Castro.

So, together with Rafael Rg, we worked as curators to the exhibition Wonderland: actions and paradoxes. We started to plan a programme for Paradas em Movimento, which was divided in 3 acts: Actions, Performance and Social engagement. Wonderland: Actions and Paradoxes is the first act.

In Wonderland, the starting point was the question of sense and no-sense and its connection to the concept of reality. We looked at video work by Francis Alÿs titled Paradox of Praxis 1 (1997). It is a register of an action that doesn’t produce a definite result, under the phrase “Sometimes making something leads to nothing”; Alÿs pushes a large block of ice thought the streets of Mexico City. The action doesn’t have an objective or finality at all, so, the action seems to have no sense. Therefore, we took into account the book Logic of sense by Giles Deleuze, and his analysis of Lewis Carroll’s Alice in Wonderland, where his theory of sense is best described as ‘a series of paradoxes’ (partly because ’sense is a non existing entity, and, in fact, maintains very special relations with nonsense’). Deleuze explains the two (sense and nonsense, that is) using the image of Möbius strip; the two form the two halves of the hermeneutical cycle that plays in the figuring of sense. In Lewis Carroll’s Alice in Wonderland, we can become aware of how she always goes in these two directions at once –sense and nonsense-, or that Wonderland is always subdivided by this double direction.

And so, in Wonderland: actions and paradoxes we wanted to present actions that could encapsulated this “nothing” proposed by Alÿs, or this “double” we read in Deleuze. These actions, however, in the show come to replace the art object. These actions do not necessarily have a pre- established or predetermined aim, it is possible to say that they ‘lack’ an object or an objective, and therefore they lead to nowhere. For this reason the video works presented in the exhibition allow us to reflect about the notion of the sense in its relationship to the absurd. Through these videos the exhibition offers a series of paradoxes and contradictions questioning any logical interpretation.

Regarding the two last questions about the most difficult aspects and the easiest ones, I think that the most difficult aspect of this exhibition was time, because it was very short time to develop an exhibition.  But I think we did well and obtained very interesting results. The easiest or the funniest ones were the visits to artist’s studios, galleries and the video Brazil archive. It was wonderful to work with this great group of artists: Antti Laitinen, Adriana Aranha, Cinthia Marcelle, Kika Nicolela, Lais Myrrha, Laura Glusman, Marilá Dardot, Paola Junqueira, Renata Padovan e Rodrigo Castro.

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